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Auditores agropecuários evitam entrada de pragas em embalagens de madeira vindas do exterior

FISCALIZAÇÃO

Madeiras utilizadas como embalagem ou suporte de produtos importados podem trazer consigo uma série de pragas de alto risco para a agricultura nacional

Presentes em portos, aeroportos e postos de fronteira, os auditores fiscais federais agropecuários são a linha de frente na identificação e no controle de possíveis pragas que possam entrar no território brasileiro. Um dos focos de inspeção são as madeiras que chegam no país, sejam elas embalagens, suporte de produtos ou o produto em si, seguindo as normas internacionais da Convenção Internacional de Proteção dos Vegetais (CIPV). Todas estas são suscetíveis a carregar pragas quarentenárias consigo, ou seja, insetos, ácaros, nematóides, fungos, bactérias, fitoplasmas, vírus, viroides, plantas infestantes e/ou parasitas, que podem causar danos diretos ou indiretos a lavouras e florestas brasileiras.

Segundo o engenheiro agrônomo e auditor agropecuário aposentado, Oscar Rosa, o trabalho de inspeção de madeiras é essencial em todos os pontos de importação. “As embalagens e os suportes de madeira são passíveis de abrigar pragas que estão ausentes no país e que, uma vez introduzidas, podem trazer sérios prejuízos à agricultura nacional com a infestação de florestas nativas e comerciais”, explica.

Dentre as principais pragas visadas pelo trabalho de fiscalização estão os da Ordem Coleoptera, popularmente conhecidos como besouros. “Podemos citar, dentre as principais pragas interceptadas, as espécies Sinoxylon anale, que é uma praga quarentenária A1, ausente para o Brasil, e Sinoxylon conigerum, uma praga quarentenária A2, presente e com controle oficial no Brasil”, exemplifica.

Impedir a entrada de pragas sempre será mais econômico para o país do que ter que trabalhar com a erradicação de um problema, ou, na pior das hipóteses, administrá-las nos casos de impossibilidade de erradicação, arcando com todos os prejuízos advindos da introdução de uma nova praga, segundo o agrônomo.

Como é feita a inspeção?

O Brasil é signatário da Convenção Internacional de Proteção Vegetal da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (IPPC/FAO). Assim, o país segue as recomendações internacionais por meio da NIMF 15 – Normativa Internacional de Medidas Fitossanitárias Nº 15, que estabelece uma série de procedimentos envolvendo as madeiras usadas no transporte de cargas. Uma das exigências é que elas sejam tratadas e tenham a marca IPPC visíveis no material.

Qualquer tipo de mercadoria que chega ao Brasil, desde produtos e insumos da agropecuária, até produtos não relacionados ao setor, como eletroeletrônicos e automobilísticos podem ter madeira. A fiscalização, então, ocorre em todas as embalagens, até mesmo em pallets e madeiras de peação, além da amostragem usual.

“A condição geral é inspecionada, procuram por presença de casca, sinais de galerias de insetos e sintomas de pragas. Caso seja detectada alguma não conformidade, a depender da gravidade, ações fiscais devem ser tomadas, entre elas, a segregação de cargas, coleta de amostras de pragas para análise laboratorial ou registros fotográficos, dentre outras possibilidades”, acrescentou Rosa. Em situação de carga unitizadas, isto é, vindo em container, a inspeção ocorre, sempre que possível, quando há a desova da carga.

“O trabalho do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) nos portos, aeroportos e fronteiras nem sempre é conhecido pela população, mas é de extrema importância para proteger a produção nacional”, ressalta o auditor agropecuário aposentado.

Fonte: Assessoria de Comunicação – ANFFA SINDICAL
Foto: Pixabay