Revista AgroViver

Imaflora apresenta soluções para reduzir emissões de metano na agropecuária

PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS

Recorte agropecuário do SEEG Metano reúne 15 propostas que podem gerar benefícios para o clima e para a eficiência e a resiliência dos sistemas produtivos rurais

Elaborado pelo Imaflora, o recorte dedicado à agropecuária mostrou que a atividade respondeu por 15,7 milhões de toneladas de metano jogados na atmosfera, ou 75,8% das emissões nacionais desse gás. Cerca de 92% das emissões do setor estão associadas à criação de gado de corte e leite, principalmente via fermentação entérica. Também contribuem para o resultado o manejo de dejetos animais, atividades agrícolas e práticas inadequadas, como a queima de pastagens — cuja contribuição não é contabilizada oficialmente no inventário nacional. 

O metano (CH₄) é 28 vezes mais potente que o dióxido de carbono (CO₂) em um horizonte de 100 anos e é o segundo GEE que mais impacta no aquecimento do planeta. Como permanece menos tempo na atmosfera que o CO₂, a redução de suas emissões pode contribuir para desacelerar o aquecimento no curto prazo. O Brasil está entre os maiores emissores mundiais de metano e demonstra emissões crescentes, segundo o SEEG. No entanto, há soluções para sua mitigação. 

A parte dedicada à agropecuária, por exemplo, apresenta 15 propostas com medidas que podem produzir benefícios rápidos para o clima, muitas das quais com efeitos positivos também para a produção rural. Elas abrangem desde aspectos como planejamento territorial, assistência técnica e crédito até práticas de manejo, tecnologias e tratamento de resíduos da produção animal. O objetivo é oferecer referências para orientar gestores públicos, produtores e demais atores das cadeias de produção e consumo na implementação de medidas adequadas a diferentes sistemas produtivos e territórios. 

“A recuperação de pastagens degradadas é um exemplo de solução com interface entre mitigação de metano e remoção de carbono, com ganho de produtividade. Um pasto recuperado pode aumentar o estoque de carbono no solo, melhorar a digestibilidade e a nutrição animal e, com isso, contribuir para reduzir as emissões de metano da fermentação entérica. Ou seja, fecha a torneira das emissões associadas à produção, sem perder de vista a manutenção e o aumento dos estoques de carbono no solo. E, de bônus, oferece pastagem de melhor qualidade aos animais”, pondera Gabriel Quintana, coordenador de Ciência do Clima no Imaflora. 

Outras soluções com potencial de duplo benefício para o produtor abrangem o manejo adequado da alimentação animal, a redução da idade de abate e o melhoramento genético, principalmente para o gado de corte. A adoção de dietas e formulações adequadas, inclusive com uso criterioso de aditivos, pode diminuir a ocorrência do famoso arroto do boi, enquanto o melhoramento genético favorece animais mais produtivos, férteis, adaptados e eficientes na engorda. “O saldo é menos metano emitido para a mesma quantidade de carne ou leite produzida”, ensina Quintana. 

O tratamento de dejetos animais, por meio de compostagem, biodigestão e captura do biogás, também é apontado como uma oportunidade. Além de evitar a liberação direta de metano, essas práticas podem gerar biofertilizantes e, no caso da biodigestão, biogás para uso energético, agregando valor aos resíduos e reduzindo gastos com insumos e energia. 

As projeções indicam que a pecuária brasileira tem potencial para reduzir em até 28% suas emissões em 2035 em relação a 2020 com a adoção de medidas de manejo, tecnologias e boas práticas. A implementação em escala, no entanto, depende de políticas públicas, pesquisa, monitoramento, assistência técnica e extensão rural e linhas de crédito compatíveis com a diversidade e a capacidade de investimento dos produtores de diferentes portes.

Fonte: Imaflora
Foto: Agência Pará

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