ARTIGO
Por Daniel Lacerda, Gerente Geral da Azul Agro – Divisão Comércio Águia Branca
O agronegócio brasileiro chega a 2026 com perspectivas produtivas positivas. A safra de grãos 2025/26 está estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 360,1 milhões de toneladas, um novo recorde e um crescimento de 2,2% em relação ao ciclo anterior. Ao mesmo tempo, preços pressionados e crédito mais seletivo exigem atenção à rentabilidade. Por isso, produzir bem precisa caminhar junto com uma gestão mais eficiente.
O Plano Safra 2026/27 oferece instrumentos importantes para esse movimento. Foram programados R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões para operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), totalizando R$ 610,3 bilhões em crédito rural. Quando utilizado com planejamento, esse recurso pode apoiar a incorporação de tecnologia, a modernização das máquinas e o crescimento sustentável da propriedade.
Outro indicador relevante é o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP). Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a projeção passou de aproximadamente R$ 1,52 trilhão em 2025 para R$ 1,45 trilhão em 2026. A retração real de 4,3%, equivalente a cerca de R$ 65 bilhões, está relacionada principalmente à queda dos preços. Embora não meça diretamente a margem, o indicador reforça a importância de ampliar a eficiência dentro da propriedade.
A rentabilidade é construída por um conjunto de decisões: planejamento da safra, controle de custos, pessoas, logística, tecnologia e capacidade operacional. Expansão de área e eficiência não são caminhos opostos, mas o crescimento precisa ser acompanhado por uma estrutura capaz de executar cada etapa dentro da janela adequada e com o melhor aproveitamento dos recursos.
Nesse contexto, o correto dimensionamento das máquinas é decisivo. Um equipamento subdimensionado pode comprometer as janelas de plantio ou colheita. Por outro lado, uma máquina acima da necessidade pode gerar ociosidade, depreciação e capital imobilizado. A melhor escolha é aquela que equilibra capacidade, tecnologia, custo de utilização e potencial de geração de resultado.
Modernizar a frota não significa apenas substituir uma máquina antiga por uma nova. Significa avaliar horas trabalhadas, manutenção, consumo, produtividade, disponibilidade e valor de revenda. Quando planejada, a renovação pode reduzir paradas não programadas, aumentar a precisão, melhorar o aproveitamento das janelas e dar mais previsibilidade aos custos.
A disponibilidade também precisa ser acompanhada como indicador de gestão. Uma parada no momento crítico da safra representa muito mais do que o custo do reparo. Por isso, manutenção preventiva, planejamento de peças, capacitação dos operadores e suporte técnico devem fazer parte da preparação da operação. Máquinas conectadas e telemetria ampliam essa capacidade ao transformar informações de desempenho em decisões preventivas.
Nesse processo, a relação entre produtor e concessionária deve considerar todo o ciclo de vida dos equipamentos. Preço, crédito, marca e valor de revenda continuam importantes, mas precisam ser analisados em conjunto com especificação, treinamento, manutenção, peças, suporte técnico e tecnologias embarcadas. Uma parceria consistente contribui para que cada investimento entregue o desempenho esperado ao longo do tempo.
O produtor não controla clima, mercado ou preços, mas pode preparar sua operação para responder melhor a cada cenário. Uma frota bem dimensionada, modernizada com planejamento e acompanhada tecnicamente proporciona mais disponibilidade, precisão e previsibilidade ao longo da safra. É essa combinação entre gestão, tecnologia e suporte que permite aproveitar melhor cada janela operacional, preservar as margens e construir bases mais seguras para o crescimento.
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